Nenhuma outra franquia de anime é
tão rentável mundialmente quanto Dragon
Ball Z. Sua incrível popularidade conquistada nas últimas décadas permitiu
que a história ganhasse espaço em mídias diversas e marcasse uma geração. Um longa
de animação de Dragon Ball Z,
portanto, tem potencial de atrair um grande público no mundo inteiro mesmo após
o encerramento da série. Não à toa que A
Batalha dos Deuses, exibido nos países da América Latina, incluindo o
Brasil, alcançou um nível satisfatório de bilheteria.
Como um bom otaku que cresceu assistindo Goku e seus amigos lutando contra
vilões, nunca deixaria passar a oportunidade de assistir A Batalha dos Deuses — até porque nunca conferi uma animação
japonesa no cinema. O filme fora lançado em DVD no Japão antes de sua exibição
aqui no país, logo todos já podiam fazer o download e assisti-lo legendado.
Muitos só não o fizeram porque ansiaram ver o filme nas vozes dubladas.
A história se passa após a saga
de Majin Boo, mas bem antes daquele torneio em que o Uub aparece. Goku está
treinando no pequeno planeta do Sr. Kaioh quando escuta deste uma conversa
sobre um tal de Bills, o Deus da Destruição, e de como essa entidade divina é
extremamente forte. Claro, Goku fica super empolgado para conhecê-lo e lutar um
pouquinho com ele, o que realmente acontece não muito tempo depois. Porém, Goku
é humilhado em menos de um minuto em seu SSJ3. Decepcionando, Bills vai para
Terra à procura de um tal SSJ Deus que ele viu em seus sonhos. Lá, ele encontra
um grupo de sayajins e terráqueos dando uma festa de aniversário na Corporação
Cápsula pelo trigésimo oitavo aniversário da Bulma. Não preciso dizer que eles
acabarão lutando e que o Goku voltará à Terra para enfrentar Bills mais uma
vez, né?
Mas o que achei do filme? Antes
de tudo, devo salientar minha opinião sobre o contexto dessa história. Eu não
considero a saga de Majin Boo (há algumas partes interessantes) como uma boa
saga, prefiro o encerramento dos Cell Games — com a morte heroica do Goku e o kamehameha
inesquecível do Gohan. Logo, é muito difícil imaginar vilões e tramas para a
série sem que soem repetitivas. Na verdade, tudo deveria ter acabado quando
Goku derrotou Freeza, o mais forte do universo; tanto que até Bills fica
impressionado quando Whis, seu “assistente”, conta-lhe que um sayajin chamado
Goku o derrotou. Ou seja, parece que o universo de Dragon Ball já não tem mais
nada a oferecer, e sempre quando tenta expandir esse universo, acaba saindo
algo forçado como toda aquela saga do Majin Boo (embora algumas palavras que
Bills diz ao Goku no final do filme rendem uma série inteira, mas espero que
não façam nada).
Por causa desse contexto, o
roteiro torna-se bem delimitado e fechado em torno do núcleo de personagens.
Basicamente, a história apresenta o planeta do Bills, o do senhor Kaioh e o
“quintal” da Corporação Capsula (onde se passa a maior parte da história) como
cenários — não levando em conta os lugares da luta final entre Bills e Goku. O
foco na interação entre os personagens demonstra que a história não está sendo
inovada, mas que procura apostar em tudo o que já foi construído por Akira Toriyama
para dar um tom mais original ao filme e também incrementar a sensação de
nostalgia nos espectadores.
Apesar de Dragon Ball Z ser focado nas lutas, A Batalha dos Deuses aposta num teor mais cômico, o que funcionou
bem para o filme. Há cenas bem divertidas para quem conhece a série original. A
aparição do Rei Pilaf e seus súditos — personagens conhecidos de quando Goku
ainda era um moleque de 14 anos com cara de 10 — deixa as cenas ainda mais
divertidas, relembrando aquele clima descompromissado que marcou o início de Dragon Ball. Contudo, por incrível que
pareça, o destaque para as cenas de riso foi o Vegeta, que deixou seu orgulho
de lado para fazer coisas inimagináveis. É nesse filme que o Vegeta se converte
definitivamente de sayajin para terráqueo.
Como Bills é um ser que derrotou
o Goku em SSJ3 em poucos instantes, as lutas com os demais personagens duraram
apenas alguns segundos, derrotando-os com apenas um ou dois golpes — ele até
usou um hashi para dar um jeito no Tenshinhan. O único que durou um pouco mais
foi o Vegeta, que apesar de ter estagnado no SSJ2, parece demonstrar poderes
equivalentes ao nível 3, o que não faz nenhuma lógica — aliás, poderes de luta não são nada lógicos
em Dragon Ball Z). Mas ver o Vegeta
como SSJ3 é como pedir para o Pikachu evoluir. Portanto, a única luta digna de
atenção é o embate final entre Goku e Bills. Dessa vez, Goku luta transformado
em SSJ Deus, que foi o detalhe que gerou uma alta expectativa para o filme. É
uma pena, mas a transformação do SSJ4 em Dragon
Ball GT é muito mais vistosa que a nova aparência do Goku. Mais ainda, a
forma como Goku se tornou SSJ4 é muito mais emocionante que a cena dele se
transformando no nível Deus. Pelo menos, o confronto com Bills é empolgante e
conta com uma ótima animação e trilha sonora.
A Batalha dos Deuses é um filme recomendado para os saudosistas.
Possui suas limitações no enredo e ausência de alguns aspectos que poderiam
deixar o filme mais emocionante, mas vale a pena assisti-lo.



4 comentários
Whis não era o mestre de Bills?
Ouvi dizer que vegetto ssj2 poderia derrotar bills e ouvi dizer que vegetto pode se transformar e ssj3 porque ele tem todas as abilidades de goku e vegeta o que e verdade