Segundo dados da pesquisa da 3º edição Retratos da Leitura no Brasil,
organizada pelo Instituto Pró-Livro, em 2011, a leitura encontra-se em
7º lugar nas atividades do brasileiro em seu tempo livre. Assistir
televisão é o passatempo predileto do povo, seguido de escutar rádio ou
música. Vale ressaltar que a pesquisa inclui leitura de jornais,
revistas e textos da internet, ou seja, não é propriamente literatura.
Vocês podem conferir a lista completa abaixo. Claro que isso é apenas
uma generalização. Eu, por exemplo, colocaria a televisão nas últimas
colocações e a leitura de livros figuraria nas primeiras.
E o que eu quero trazendo esse gráfico
para vocês? Acredito que o público leitor desse site tenha o costume de
exercer a atividade da leitura, mas vivemos num mundo apinhado de tantas
coisas para nos entretermos que acabamos nos rendendo a elas. Não
vivemos mais no início do século XX, um tempo sem videogames, internet,
cinema (até existia, mas não como a indústria potente que é hoje),
televisão e diversas outras coisas que tomam o nosso tempo. A leitura
entra nessa briga acirrada e perde muitas, muitas batalhas. Afinal, para
uma criança e um adolescente, desenhos, filmes e jogos soam ainda mais
interessantes (apesar do boom da literatura infanto-juvenil — e pseudo
infanto-juvenil — nos últimos anos). E mesmo para quem já é leitor
assíduo, pode ser uma batalha bem disputada (entre o lançamento de um
livro, um game, um anime, um seriado ou um filme, qual te deixa mais
empolgado?).
Há também o enorme tempo
gasto enquanto se navega na internet ou confere as atualizações do
Facebook. Aliás, essa rede social é como aquelas pessoas que têm a
tendência de não calar a boca e puxam um assunto no meio de um filme ou
no meio da leitura de um livro, porque você sempre ouve aquele alerta
sonoro aprazível e pausa tudo o que você está fazendo apenas para
conferir se a notificação é uma curtida, um comentário no seu status ou
uma mensagem que provavelmente te deixará empolgado para sustentá-la por
meia hora. Mesmo sem o alerta, a pessoa ainda tem a sua sede em checar
as notificações a cada 10 minutos. E esse último caso interrompe quase
todas as atividades listadas na imagem acima.
Em
vista de todos esses chamarizes, a conversão de um não-leitor para um
leitor torna-se bem complicada, embora a tecnologia às vezes possa ser
uma aliada na formação de leitores (vide os blogs literários que
divulgam a literatura e as transposições de narrativas entre a
literatura e outras mídias). Contudo, é bom relevar a ausência de
incentivos culturais para a leitura, o que contribui para o desinteresse
das pessoas que, por consequência, usam seu tempo livre em outras
atividades. As vantagens geradas pela leitura são inúmeras:
enriquecimento vocabular, ampliação de sua visão de mundo, conhecimentos
sobre os mais variados assuntos, além de uma boa dose de emoção.
Mas,
quanto ao leitor, este precisa resistir um pouco às distrações. Um livro
exige um maior esforço intelectual para ser degustado, é um exercício
salutar para sua mente. Portanto, é bom diminuir as demais atividades e
aumentar (ou criar) um tempo de leitura. Não é difícil fazê-lo. Por
exemplo, em tempos ociosos no transporte público, ao invés de escutar
música, abra um livro.
Idem para quaisquer tipos de filas. Talvez você apenas tenha tempo de
ler poucas páginas ou até mesmo alguns parágrafos, mas pelo menos estará
lendo. Outra sugestão é ler sempre antes de dormir (dá até pra sonhar
com o universo do livro que está lendo, embora isso raramente aconteça
comigo.) Detalhe: não pense que estou sugerindo que abandone, por
exemplo, o videogame, o facebook ou qualquer outra atividade, apenas que
saiba mensurar adequadamente o seu tempo de forma proveitosa. Caso
contrário, não reclame que não tem tempo para ler todos os livros da sua
estante. O importante é apenas não deixar a leitura como última opção.