Autor: Neil Gaiman
Tradutor: Regina de Barros Carvalho
Ano: 2002
Skoob
Sinopse: Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, consegue abrir uma porta na sala de visitas de casa que sempre estivera trancada e descobre um caminho para um misterioso apartamento 'vazio' no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado, e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus 'outros' pais. Na verdade, aquele parece ser um 'outro' completo mundo mágico atrás da porta. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários.
Resenha
Se
me perguntarem o nome de um autor que me inspira, eu responderei Neil Gaiman,
embora eu apenas tenha alguns capítulos do Sandman e, agora, Coraline, na minha
bagagem de leitura; isso por causa de uma sentença do Gaiman que ficou gravada
em meu coração “Make good art”. Após muito adiamento, decidi pegar um romance
deste autor, mas optei pelo gênero infanto-juvenil (já que estava bem à vista
na prateleira da biblioteca).
A
sinopse e a orelha do livro indicam pitadas de horror gótico, Nárnia e Alice no
País das maravilhas. De fato, as influências marcam presença no enredo. A porta
que abre para o mundo de seus “outros pais” é semelhante ao guarda-roupa que dá
para o universo de Nárnia, mas em vez de casacos pendurados no cabide, o espaço
intermediário é um corredor escuro. De Lewis Carrol, temos a presença de um
gato semelhante ao de Cheshire e o hábito da protagonista em explorar os
lugares. O horror começa quando Coraline atravessa para o outro mundo, onde
tudo é mais sombrio, mais turvo, mais cinzento, e seus “outros pais” e seus “outros
vizinhos” têm botões escuros no lugar dos olhos.
A
linguagem é simples e objetiva, embora consiga ser bem trabalhada nos momentos
mais sombrios, onde Neil Gaiman realmente demonstra a habilidade de prender a
atenção do leitor e deixá-lo tenso a cada virada de página. Da mesma forma que
Coraline fica presa no mundo de sua “outra mãe” (que é quem criou aquele
lugar), o leitor também se sente enclausurado naquele outro mundo onde o espaço
tem suas limitações; a única saída é a porta na sala de visitas. É emocionante
acompanhar a coragem de Coraline a cada lugar explorado, perigo atrás de
perigo. Ainda sobre a coragem, ela a define muito bem a partir de um episódio
que narrara sobre o seu pai, chegando à conclusão de que o medo é um requisito
necessário à coragem, ao contrário de uma ação em circunstâncias desesperadoras
quando não há tempo o bastante para o medo se sobressair.
Uma
história tão sombria assim é recomendável para crianças? Se o pequeno leitor
for daqueles que mijam na cama, certamente irá querer passar longe dessa
história. No entanto, um dos temas de Coraline é exatamente esse: controle o
seu medo e tenha coragem. A criança que finalizar a leitura provavelmente
ganhará um pouco da coragem de Coraline e sobreviverá a algumas noites (embora
eu recomende que ela ache alguma pedra furada, só por precaução).
2 comentários
Também adorei esse livro. Diz a lenda que é infanto-juvenil, mas acho meio assustador para crianças. Também resenhei esse livro no meu blog, foi o primeiro livro de Gaiman que li, e com certeza quero ler muitos outros livros do autor. :) Apesar das referencias nítidas de Narnia e Alice, achei que Neil Gaiman, conseguiu inovar bem e dar um brilho próprio para sua história. Sempre digo que Coraline é a versão gótica e contemporânea de Alice no país das Maravilhas. :)
Beijos,
Bell
http://contosdoguerreiro.blogspot.com/